sexta-feira, 11 de março de 2011

Brasiliando em duas rodas

Quase cinco anos depois de eu trazer minha  trouxa pro cerrado, o verbo 'brasiliar', enfim, ganhou seu sentido maior. Assumi minha identidade neocandanga e comprei uma bicicleta.
Depois do 'piqui', da incansável contemplação da amplitude calmante do céu, de ficar sócia de clube e de reservar os domingos para caminhar no parque, faltava a ótica da cidade sobre duas rodas. Aguardem as impressões.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Por aí

Tirei umas longas férias desta gavetinha.
Na verdade, abandonei-a deliberadamente, incomodada que estava com a obrigação que me impus de fazer arrumações diárias. Passou-se o tempo de uma gestação. Com nascimentos e também com mortes.
Vários mundos se abriram de leituras devoradas - outros se fecharam quando os olhos se abriram.
Sonhos foram e voltaram sem se firmar, amigos queridos partiram. Novos chegaram e velhos ressurgiram.
A cidade mudou de cara, ficou mais quieta. E o país, de piloto - temos agora uma pilotA, quem diria, chegamos lá.
Tomei muito vinho (muito!), comprei bicicleta - preferi a casar -, curti muito sol e muito mar.
Fiz retiro, fiz yoga e meditei. E os barulhos mentais continuam indo e vindo, em altos decibéis.
Conheci uma janela que tem a vista que me faz melhor companhia.
Tirei longas férias e vi todos os filmes assistíveis em cartaz na cidade.
Perdi sistematicamente na mega-sena, comprei apartamento financiado em 24 anos.
Mudei de emprego.
E para aqueles que acompanharam minha saga para manter em pé o eixo vertebral (aqui e aqui), anuncio que, após longos nove meses de fisioterapia, reabilitada estou.

Voltei para espanar a poeira. Sem promessa de assiduidade.
E se alguem perguntar por mim, diz que fui por aí.
...E se quiserem saber se volto, digam que sim...

(em qualquer esquina eu paro, em qualquer botequim eu entro... se houver motivo, é mais um samba que eu faço).

terça-feira, 22 de junho de 2010

Os avanços concretos do SUS

Reproduzo abaixo o artigo "Os avanços concretos do SUS", publicado nesta terça (22), na Folha de S.Paulo, que coloca alguns importantes pingos nos 'is'. O artigo é assinado por Alberto Beltrame, secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde.

Os avanços concretos do SUS

22 de junho de 2010
TENDÊNCIAS/DEBATES

ALBERTO BELTRAME

O SUS (Sistema Único de Saúde) consolidou-se, ao longo de duas décadas, como a maior política de Estado do país, promotor de inclusão e justiça social. Fruto de uma permanente construção coletiva, nele se manifesta o melhor da tradição política brasileira: o diálogo, a composição e a busca do acordo.

Nós, gestores do SUS em todas as esferas de governo, a despeito de diferenças de orientação política ou ideológica, temos um ponto de convergência: a saúde pública.

Assim, a defesa intransigente do SUS nos unifica. Cada governo ajudou a fortalecer o SUS. E a gestão do presidente Lula acumula conquistas inegáveis.

A Saúde da Família teve sua cobertura duplicada de 2002 a 2009, atingindo 100 milhões de brasileiros. Com isso, o país reduziu em 20% a mortalidade infantil (2003 a 2008); ampliou em 125% o número de consultas de pré-natal (2003 a 2009); diminuiu a desnutrição e ampliou a adesão à vacinação.

Antes esquecidos, os cuidados em saúde bucal são um dos destaques. O Brasil eliminou o sarampo, em 2007; interrompeu a transmissão do cólera (2005) e da rubéola (2009); e a transmissão vetorial de Chagas, em 2006.

Estamos próximos da eliminação do tétano e reduzimos as mortes em outras 11 doenças transmissíveis, como tuberculose, hanseníase, malária e Aids.

O desenvolvimento de uma política para as urgências e emergências permitiu a melhor estruturação da rede. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), de 2003, já atende 105 milhões de brasileiros. A construção das UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) reforça o Samu e a rede de atenção primária, contribuindo para a redução das filas nos hospitais.

Nas cirurgias eletivas, ampliou-se o conceito dos "mutirões", permitindo que os gestores locais promovam 90 diferentes procedimentos, que eram restritos a quatro no modelo anterior. Expandiu-se de 1,5 milhão de procedimentos em 2002 para 1,95 milhão, em 2009.

Foram feitas mais cirurgias de catarata em 2009 do que no auge dos mutirões, em 2002.

O número de transplantes cresceu de 11,2 mil, em 2002, para 20,2 mil, em 2009, um salto de 80%. O SUS também se consolidou como o principal fornecedor de medicamentos. O mercado de genéricos cresceu e o número de novos registros saltou 280% em sete anos.

Além disso, foi criada a Farmácia Popular, ação de governo mais bem avaliada pela população.

O SUS tem desafios importantes, sobretudo o subfinanciamento. É urgente a construção de um entendimento nacional sobre o financiamento. A despeito disso, a atual gestão tem corrigido iniquidades regionais. Os repasses financeiros para procedimentos de média e alta complexidade aumentaram 137% entre 2003 e 2009.

Na direção da equidade, o aumento foi maior nas regiões Norte (298%) e Nordeste (240%). Estamos cumprindo o compromisso de fazer mais e melhor.

É inegável o esforço deste governo para legar um SUS mais organizado, integrado e com bases de sustentação que permitam ao país oferecer serviços de melhor qualidade aos brasileiros.


ALBERTO BELTRAME, médico e administrador hospitalar, mestre em gestão de sistemas de saúde, é secretário nacional de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde.

sábado, 19 de junho de 2010

Vai com fé


"Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro".


Vê se agora procura direito aí, Saramago. Vai com fé!


sábado, 5 de junho de 2010

Na janela



Estava ali na janela vendo a vida passar e eis que ela se aboletou na minha paisagem.
Nenhuma cerimônia. Um certo topete, até.
Lá ficou, entre mim e o mundo.

Consta que elas, as borboletas (nome quase tão bonito só babele em Iídiche; ou liblikas em estoniano), prenunciam acontecimentos alegres. Transformações, metamorfose, libertação.

Para os gregos e os romanos, são imagens da alma.
No Japão, espíritos viajantes.

Cara dona liblika, grata pela visita.
Daqui pra onde?
Me convida?