Clichês à parte, é bonito pacas!
quarta-feira, 21 de abril de 2010
domingo, 18 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
Uma pandemia de cegueira consciente
“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”
É apenas trágico, triste e real.
Chegou ontem lá na assessoria um alerta sobre um tal pastor da Igreja Primitiva dos Dez Mandamentos. O sujeito anda espalhando por aí que a vacina contra a gripe H1N1 está a serviço do capeta.
A criatividade vai longe.
Diz o pastor que aqueles que tomarem a vacina serão expurgados do planeta daqui a 10 anos. A culpa é de um microorganismo enviado pelo demo que, injetado no sangue, deixa o homem com o bicho no corpo, até explodir daqui uma década.
O pastor pasta na vizinhança de Brasília e está reproduzindo o alerta para todo o seu rebanho, inclusive nas inúmeras viagens que tem feito Brasil afora para levar a palavra da Primitiva.
Põe primitiva nisso.
O discurso foi repetido por uma fiel dessa Igreja à sua patroa, que é jornalista e nos ligou para alertar.
É provável que algumas dezenas de milhares de pessoas tenham recebido o conselho do sujeito. Entre elas, gestantes, pessoas com doenças crônicas e jovens saudáveis – grupos que, juntos, representaram 90% dos que tiveram complicações e mortes pela nova gripe no ano passado.
Vêm de longe as discussões sobre o desserviço que muitas vezes as doutrinas religiosas prestam à saúde pública. Passam pelas testemunhas de Jeová, proibidas de se submeter a transfusões de sangue; passam pelos católicos que ouvem o Papa Bento XVI alertar que o preservativo piora a epidemia de AIDS – declaração dada em plena visita à África, continente que concentra dois terços desses doentes.
Apesar da vala intransponível que existe entre mim e esses pensamentos, tenho lá o meu respeito pelas crenças religiosas. E respeito ainda mais a consciência dos cidadãos e o livre-arbítrio.
Defendo o novo código de ética médica, que acaba de ser lançado com um grande avanço na relação médico-paciente, respeitando a liberdade e a dignidade dos doentes. Isso é sintonia com a realidade.
O que não respeito são aqueles que escolhem se opor ao esclarecimento e à informação da sociedade em nome de... do que mesmo??
Fora de moda, fora de qualquer razão, fora da realidade dos últimos séculos estão os obscurantistas, que, seja por meio da religião, da política ou de atitudes isoladas que ocultam argumentos científicos em prol de sei lá o quê, pregam a ignorância.
Como bem lembrou ontem na mesa do bar a minha amiga R., é preciso se discutir mais o obscurantismo. É preciso se opor a ele. Gritar e espernear contra esses seres que escrevem e espalham via emails disparidades aterrorizantes contra uma vacina que previne contra a morte.
Eu tenho lado: estou do lado da transparência. Estou do lado da saúde, da promoção à saúde e do progresso intelectual e científico em nome dessa saúde. Faço oposição à ignorância, aos arautos do apocalipse e à cegueira consciente.
Em tempo:
Em 2009, tivemos 2 mil mortes no Brasil pela gripe H1N1. É uma gripe que mata o mesmo tanto que a gripe comum. Com uma diferença: enquanto a gripe comum causa mais complicações em idosos, esta é virulenta nas gestantes, nas crianças pequenas e nos jovens de seus 20 ou 30 anos saudáveis. Nesse público, pode matar em dois ou três dias.
As vacinas disponíveis no mundo contra a gripe H1N1 foram rapidamente desenvolvidas porque a produção é igualzinha à da gripe comum. Os fabricantes conhecem e utilizam o processo há dez anos, quando surgiu a vacina contra a gripe comum.
No mundo, mais de 300 milhões de pessoas já tomaram esta nova vacina. Aqui no Brasil, quase 30 milhões já se imunizaram nas últimas três semanas. E não houve, até o momento, nenhum efeito colateral grave registrado. Como quase não há efeitos graves na vacina contra a gripe comum.
As informações técnicas e científicas estão ao alcance de todos. A campanha de esclarecimento é exaustiva. Os canais de comunicação e informação são vastos e estão bravamente lutando contra esses obscurantistas.
Como defensora do livre-arbítrio, respeito os doentes crônicos e jovens que têm informação e optam por não se imunizar. Esses arcam com as suas próprias conseqüências.
Considero, no entanto, irresponsáveis essas grávidas que colocam em risco a vida do filho que carregam ou as mães que privam o filho pequeno da proteção que está ao alcance das mãos.
Quando as mortes começarem, já será inverno, e a transmissão do H1N1 estará no seu auge. Não adiantará haver corrida aos postos de vacinação, então. Isso porque o nosso organismo demora cerca de 15 dias pra responder à vacina e começar a produzir os anticorpos necessários.
Quem quiser saber mais:
0800 611997
www.saude.gov.br
www.combatadengue.com.br
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Melhores momentos na firma
Lá na assessoria a vida é dura.
A gente sofre com a ansiedade dos de cima e com a malemolencia de alguns dos de baixo. Com a pressão da imprensa marrom e também da imprensa vermelha e da amarela;
A gente sofre com as mortes e a falta de leitos;
Com as adolescentes grávidas, as chuvas, o aumento da dengue, os desabrigados e com o povo que não vai se vacinar;
sofre com o ar-condicionado insalubre, a cadeira insalubre e o almoço insalubre.
Mas com as demandas... ah, com elas a gente se diverte.
Melhores momentos I
Repórter: Vocês teriam dados sobre a ocorrência de intoxicação alimentar antes da Revolução Industrial?
Assessora: Não. Desculpe, mas não temos (com cara de interrogação).
Repórter (indignada, perplexa, estupefata): EU NÃO ACREDITO QUE O MINISTÉRIO NÃO TEM ESSA INFORMAÇÃO! Você pode fazer o favor de checar isso melhor?!
Assessora: Ahã. Me liga amanhã.
Melhores momentos II
De: elisorlando
Enviada em: sexta-feira, 13 de abril de 2010 10:28
Para: ASSESSORIA DE IMPRENSA - ASCOM/GM
Assunto: auxílio
Boa tarde, pessoal. Tudo bem?
Estou fazendo uma reportagem sobre mulheres que têm o hábito de jogar futebol toda semana e depois tomar aquela cervejinha. Preciso de personagens!!
Por favor, vocês conhecem alguém para me indicar? URGENTE!
Obrigada e abraços.
Melhores momentos III
De: vilalbamoura
Enviada em: sexta-feira, 11 de março de 2010 18:48
Para: ASSESSORIA DE IMPRENSA - ASCOM/GM
Assunto: concurso da cidade de Assis/SP
Boa noite
Me chamo rodrigo e estarei prestando concurso na minha cidade para o preenchimento do cargo de Agente de Combate a Endemias, e nao sei praticamente nada, tenho pouco tempo a prova objetiva sera dia 28, preciso ir bem pois o processo conta com 2 etapas, se nao for pedir muito gostaria que vocês me mandassem as informações.
Sem mais para o momento agradeço!!!
Quem mandou eu não estudar...
Mas já que é pra nos divertirmos, está oficialmente aberta a seção "Melhores momentos na firma".
Se você tiver causos divertidos da sua repartição (vale inventar, mas não conte a ninguém), envie pro Brasiliando. Os melhores dos melhores serão publicados aqui.
A gente sofre com a ansiedade dos de cima e com a malemolencia de alguns dos de baixo. Com a pressão da imprensa marrom e também da imprensa vermelha e da amarela;
A gente sofre com as mortes e a falta de leitos;
Com as adolescentes grávidas, as chuvas, o aumento da dengue, os desabrigados e com o povo que não vai se vacinar;
sofre com o ar-condicionado insalubre, a cadeira insalubre e o almoço insalubre.
Mas com as demandas... ah, com elas a gente se diverte.
Melhores momentos I
Repórter: Vocês teriam dados sobre a ocorrência de intoxicação alimentar antes da Revolução Industrial?
Assessora: Não. Desculpe, mas não temos (com cara de interrogação).
Repórter (indignada, perplexa, estupefata): EU NÃO ACREDITO QUE O MINISTÉRIO NÃO TEM ESSA INFORMAÇÃO! Você pode fazer o favor de checar isso melhor?!
Assessora: Ahã. Me liga amanhã.
Melhores momentos II
De: elisorlando
Enviada em: sexta-feira, 13 de abril de 2010 10:28
Para: ASSESSORIA DE IMPRENSA - ASCOM/GM
Assunto: auxílio
Boa tarde, pessoal. Tudo bem?
Estou fazendo uma reportagem sobre mulheres que têm o hábito de jogar futebol toda semana e depois tomar aquela cervejinha. Preciso de personagens!!
Por favor, vocês conhecem alguém para me indicar? URGENTE!
Obrigada e abraços.
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Melhores momentos III
De: vilalbamoura
Enviada em: sexta-feira, 11 de março de 2010 18:48
Para: ASSESSORIA DE IMPRENSA - ASCOM/GM
Assunto: concurso da cidade de Assis/SP
Boa noite
Me chamo rodrigo e estarei prestando concurso na minha cidade para o preenchimento do cargo de Agente de Combate a Endemias, e nao sei praticamente nada, tenho pouco tempo a prova objetiva sera dia 28, preciso ir bem pois o processo conta com 2 etapas, se nao for pedir muito gostaria que vocês me mandassem as informações.
Sem mais para o momento agradeço!!!
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Mas já que é pra nos divertirmos, está oficialmente aberta a seção "Melhores momentos na firma".
Se você tiver causos divertidos da sua repartição (vale inventar, mas não conte a ninguém), envie pro Brasiliando. Os melhores dos melhores serão publicados aqui.
(Agradecimento especial à central de recebimento de melhores momentos: @hilariorodrigo)
quinta-feira, 15 de abril de 2010
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O espetador-geral da República
Em plena cruzada contra a minha protuberância sacral (veja post Reabilitação), fui buscar alternativa à medicina tradicional.
Apertado entre lojinhas decadentes de uma rua escura no final da Asa Norte, em Brasília, fica o consultório de um dos principais responsáveis por minimizar as dores do Planalto.
É lá que se esconde o dr Gu. Ou, como é mais conhecido, “o acupunturista do Lula”.
Ao contrário do que a alcunha pressupõe, qualquer um que chega lá é atendido sem precisar marcar hora. Bem... qualquer um que puder desembolsar R$ 140,00 pela consulta, bem entendido.
O segredo é chegar entre 8h e 9h30, alertaram. Depois disso, enche.
Cheguei às 8h30. Logo na entrada do consultório, por todos os lados, fotos do dr Gu com seu mais notável cliente. Só mudam os cenários ao fundo: o consultório, o Palácio, Pequim, o avião da FAB, o futebol na Granja do Torto...
Na mesa da secretária, sob um vidro, a revelação de que as espetadas do dr Gu se espalharam pela Esplanada. Lá estavam os registros da clientela vip: dona Marisa, José Alencar, Dilma Rousseff, Guido Mantega, Celso Amorim, Gilberto Carvalho, Geddel, Miguel Jorge, Miro Teixeira, Álvaro Dias e uma infinidade de outros nobres que não couberam na minha rasa memória.
Além, claro, de uma fotona vistosa do chinês abraçado ao ministro da Saúde, o meu chefe Temporão, freguês assíduo da medicina alternativa e deste consultório em especial.
O homem é magrinho, baixinho, máximo 50 anos. Sorridente, não olha direito no olho e também não perde tempo com bobagens, como perguntar o motivo de sua consulta.
“Isso ele descobre pelo seu pulso”, alertou a secretária antes de me levar a uma maca.
Eu tentava com dificuldade me deitar de bruços quando ele chegou.
“Caregô muito peso?”, perguntou
- É uma hérnia...
Enquanto eu concluía a frase, pegou meu pulso e foi dando o endereço da protuberância: L4, L5 barra S1...
Confirmei, reforçando a localização exata: L5 barra S1 (aquela esquina entre a coluna e o bumbum).
Antes de concluir a frase, um golpe repentino direto na dor que eu nunca tinha conseguido pegar com a mão. Gritei e pulei involuntariamente.
Ele riu. Era só reconhecimento de território.
- Fica comigo que não vai precisar operaçón, disse, enquanto atacava com os dedos outros três endereços da dor ao longo da minha perna direita, onde o ciático atacou.
Passamos para a sessão propriamente dita. Enquanto fincava as agulhas, puxei conversa.
- O sr nasceu aonde?
“Xangai. Mas moro em Brasiria já 24 anos. Brasiria muito bom pra morar. Tem família, filhos?”
-Não. Solteira.
“Pra solteiro também Brasiria muito bom. Faz o quê?”
- Jornalista.
-Então não vai embora nunca. Aqui muito bom pra jornarista.
Não esperou resposta. Saiu, me deixando lá com as agulhas.
Foi atender outros clientes. São duas salas com duas macas cada. As pessoas vão chegando, ele vai atendendo até quatro ao mesmo tempo.
Com o Lula, claro, a sessão é privê e a domicílio. Dizem que ele está à disposição. Basta uma ligação, ele sai correndo pro Alvorada.
E a Dilma? perguntei, assim que voltou, uns 10 minutos depois.
“Dilma vem consultório. Acabou de ligar. Vem aqui hoje à tarde.”
Discreto, mudou de assunto. “Agora vem parte chata.”
Não entendi.
Mas logo entendi... Contrariando todas as recomendações médicas e sem que me desse tempo de impedir, me virou de lado e deu trancos no meu corpo que parecem ter tirado todas as costelas do lugar. Dor.
Gritei de novo, brava.
Não pode! Está inflamado!
“Calma, menina. Faz o que estou farando. Respira fundo, relaxa e deixa fazer.”
Relaxar????
“Relaxa, respira, solta, menina. Vai”, ordenou sem muita paciência. E lá vai nova torção de tronco, mais suave desta vez.
Então colou três emplastos com “treze prantas cada um”.
Deve ter percebido que fez algo errado, pensei.
“Vai piorar a tarde, mas a noite meriora, né.”
Mandou eu voltar dois dias seguidos antes de tornar a visita semanal.
Saí desconfiadíssima. Aquelas fotos, aquele preço, aquele tranco...
Será que caí no conto do Planalto?
Hoje, umas 30 e poucas horas depois, não senti grandes diferenças na montanha russa de dores que minha hérnia me causa diariamente.
Por via das dúvidas, decidi continuar o tratamento e pagar (muuito, por sinal) pra ver.
Afinal, as espetadas mais afiadas do planalto hão de ter algum poder.
(E jogue a primeira pedra o cético que, diante da dor, não se curvou às crenças mais primitivas...)
Apertado entre lojinhas decadentes de uma rua escura no final da Asa Norte, em Brasília, fica o consultório de um dos principais responsáveis por minimizar as dores do Planalto.
É lá que se esconde o dr Gu. Ou, como é mais conhecido, “o acupunturista do Lula”.
Ao contrário do que a alcunha pressupõe, qualquer um que chega lá é atendido sem precisar marcar hora. Bem... qualquer um que puder desembolsar R$ 140,00 pela consulta, bem entendido.
O segredo é chegar entre 8h e 9h30, alertaram. Depois disso, enche.
Cheguei às 8h30. Logo na entrada do consultório, por todos os lados, fotos do dr Gu com seu mais notável cliente. Só mudam os cenários ao fundo: o consultório, o Palácio, Pequim, o avião da FAB, o futebol na Granja do Torto...
Na mesa da secretária, sob um vidro, a revelação de que as espetadas do dr Gu se espalharam pela Esplanada. Lá estavam os registros da clientela vip: dona Marisa, José Alencar, Dilma Rousseff, Guido Mantega, Celso Amorim, Gilberto Carvalho, Geddel, Miguel Jorge, Miro Teixeira, Álvaro Dias e uma infinidade de outros nobres que não couberam na minha rasa memória.
Além, claro, de uma fotona vistosa do chinês abraçado ao ministro da Saúde, o meu chefe Temporão, freguês assíduo da medicina alternativa e deste consultório em especial.
O homem é magrinho, baixinho, máximo 50 anos. Sorridente, não olha direito no olho e também não perde tempo com bobagens, como perguntar o motivo de sua consulta.
“Isso ele descobre pelo seu pulso”, alertou a secretária antes de me levar a uma maca.
Eu tentava com dificuldade me deitar de bruços quando ele chegou.
“Caregô muito peso?”, perguntou
- É uma hérnia...
Enquanto eu concluía a frase, pegou meu pulso e foi dando o endereço da protuberância: L4, L5 barra S1...
Confirmei, reforçando a localização exata: L5 barra S1 (aquela esquina entre a coluna e o bumbum).
Antes de concluir a frase, um golpe repentino direto na dor que eu nunca tinha conseguido pegar com a mão. Gritei e pulei involuntariamente.
Ele riu. Era só reconhecimento de território.
- Fica comigo que não vai precisar operaçón, disse, enquanto atacava com os dedos outros três endereços da dor ao longo da minha perna direita, onde o ciático atacou.
Passamos para a sessão propriamente dita. Enquanto fincava as agulhas, puxei conversa.
- O sr nasceu aonde?
“Xangai. Mas moro em Brasiria já 24 anos. Brasiria muito bom pra morar. Tem família, filhos?”
-Não. Solteira.
“Pra solteiro também Brasiria muito bom. Faz o quê?”
- Jornalista.
-Então não vai embora nunca. Aqui muito bom pra jornarista.
Não esperou resposta. Saiu, me deixando lá com as agulhas.
Foi atender outros clientes. São duas salas com duas macas cada. As pessoas vão chegando, ele vai atendendo até quatro ao mesmo tempo.
Com o Lula, claro, a sessão é privê e a domicílio. Dizem que ele está à disposição. Basta uma ligação, ele sai correndo pro Alvorada.
E a Dilma? perguntei, assim que voltou, uns 10 minutos depois.
“Dilma vem consultório. Acabou de ligar. Vem aqui hoje à tarde.”
Discreto, mudou de assunto. “Agora vem parte chata.”
Não entendi.
Mas logo entendi... Contrariando todas as recomendações médicas e sem que me desse tempo de impedir, me virou de lado e deu trancos no meu corpo que parecem ter tirado todas as costelas do lugar. Dor.
Gritei de novo, brava.
Não pode! Está inflamado!
“Calma, menina. Faz o que estou farando. Respira fundo, relaxa e deixa fazer.”
Relaxar????
“Relaxa, respira, solta, menina. Vai”, ordenou sem muita paciência. E lá vai nova torção de tronco, mais suave desta vez.
Então colou três emplastos com “treze prantas cada um”.
Deve ter percebido que fez algo errado, pensei.
“Vai piorar a tarde, mas a noite meriora, né.”
Mandou eu voltar dois dias seguidos antes de tornar a visita semanal.
Saí desconfiadíssima. Aquelas fotos, aquele preço, aquele tranco...
Será que caí no conto do Planalto?
Hoje, umas 30 e poucas horas depois, não senti grandes diferenças na montanha russa de dores que minha hérnia me causa diariamente.
Por via das dúvidas, decidi continuar o tratamento e pagar (muuito, por sinal) pra ver.
Afinal, as espetadas mais afiadas do planalto hão de ter algum poder.
(E jogue a primeira pedra o cético que, diante da dor, não se curvou às crenças mais primitivas...)
sexta-feira, 9 de abril de 2010
João Gordo é nosso. E do Edir Macedo.
Conheci ontem, pessoalmente, o rato de porão João Gordo.
Eu trabalhava calmamente no caos diário do ministério, chafurdada em vacinas de gripe, mortes no Pará, kit-enchente pro Rio de Janeiro, e eis que recebo uma ligação do gabinete.
“Corre lá embaixo que tem umas 30 meninas de biquíni gritando o nome do Temporão. E com câmera de TV!”
Pulei da cadeira e lá fui encarar o mico das peladas que se instalaram dentro do ministério.
Tá certo... o ministro tem lá seu charme e faz o maior sucesso com a mulherada por sua postura progressista pró-aborto, mas daí a ser pivô de histeria coletiva de coelhinhas?!?!?!
No caminho, fiquei tensa. E se dou de cara com o Pânico ou com o CQC, aqueles mocinhos destemidos da TV que te enfiam o microfone goela abaixo até você explicar de joelhos por que o SUS não fornece dados sobre intoxicação alimentar antes da revolução industrial (sim, isso foi de fato uma demanda que chegou outro dia lá na assessoria, mas é assunto pra outro post...)
Chegando lá, dezenas de mocinhas mostravam suas curvas aboletadas no chão, já do lado de dentro do ministério, besuntadas com algo que parecia ser protetor solar.
Logo ali, atravessando a rua, um grupo de coleguinhas, câmeras e flashes aguardava a saída de alguma importante visita internacional do lado de fora do Itamaraty.
Que não se virem pra cá, rezei.
Corri pra tentar avistar alguma liderança do “movimento”.
No meio das moças e de uma multidão que já se formava, surge ele, o irreverente roliço. Se apresentou daquele jeito informal, mas cheio de educação, e deu logo a palavra ao seu produtor, um japa descolado que eu já conhecia lá da Record de São Paulo.
Estavam ali pra lançar a ideia de um projeto de iniciativa popular defendendo a distribuição gratuita, pelo SUS, de protetor solar, explicou.
Queriam levar essa ideia ao ministro da Saúde. E todo mise-em-scène devidamente documentado para um quadro do novo programa Marcos Mion, que estreia neste sábado à noite, na TV Record, a emissora do bispo.
Saia justa, pensei.
Percebendo a inquietação, prometeram com simpatia que o programa não humilharia nem agrediria ninguém, e que a ideia é abraçar algumas causas e dar a elas visibilidade. Queriam uma palavra de apoio, apenas. E se comportariam direitinho.
Deixei-os ali com a promessa de que traria uma solução, desde que eles ficassem calminhos até que eu voltasse.
Calminho, aquele cara??? Saí desembestada pra achar uma solução antes que aquelas moças invadissem o gabinete e pulassem no ministro em frente às câmeras.
Bobagem. Puro preconceito.
Cumpriram direitinho a promessa, enquanto eu acertava tudo com o chefe.
Corta a cena e adianta a fita: estamos os três, João Gordo, o produtor e eu, tomando cafezinho na ante-sala do gabinete, rindo e comentando sobre as recorrentes notícias dos padres pedófilos, criticando a grosseria dos bobocas do Pânico, a pindaíba em que vive a produção do CQC (o produtor é recém-saído de lá) e trocando impressões sobre o grande problema de saúde pública que é o câncer de pele.
Lembrei dos bispos da Record, que agora mandam no Gordo.
Mandam?, perguntei.
“Ah, véio, eles sabem quem eu sou e como eu sou, tá ligado? Me contrataram, pô. Eu não vou mudar meu jeito, caralho.”
Eu: Mas não fazem nenhuma restrição?
O produtor interveio, explicando que nada é dito, nem há manuais de boas maneiras. Mas que as pessoas tem bom senso. Elas intuem seus limites.
Entendi, respondi. Hilariante imaginar o João Gordo intuindo limites, pensei.
Aí o Gordo pro produtor: Cara, imagina se eu resolvo cantar a música do Ratos (de Porão) em homenagem à (Igreja) Universal lá no programa?
E desatou a declamar a letra inteira, que tem um trecho assim:
“Histeria coletiva / Farsa pentecostal / Hipnose destrutiva / Atitude anormal!"
Silêncio.
Dizer o quê?
O Gordo corta: Esse programa aí (“Legendários”, amanhã, às 21h45) tá do caralho. Não tem nada parecido na TV aberta. Acho que vai bombar, mano.
Parece que levaram um pouco das receitas descoladas da MTV e misturaram com a fórmula do CQC.
Nessa hora, alguém avisa que o ministro nos chama. Passamos para a sala de reuniões do gabinete. Assim que entramos, o Gordo vê na parede um quadro do Lula com a faixa presidencial. Ao lado, uma bandeira do Brasil.
“Cara, tira uma foto da gente aqui”, pede, sacando uma digital do bolso. Num misto de humildade e orgulho que me surpreendeu, ele e o produtor se colocam entre o presidente da República e a bandeira.
Cliques feitos, servem-se de mais cafezinhos.
Parecem surpresos de ter chegado até ali.
O ministro chega e, enquanto aguardam o câmera, batem papo. O ministro conta seus projetos para fazer baixar o preço do protetor solar. Dá números sobre a incidência de câncer de pele, elogia a iniciativa do programa.
Ganha os entrevistadores.
A luz é acesa, a câmera começa a gravar.
Três ou quatro perguntas, todas pertinentes. Nenhuma sacanagem, nenhuma ironia nem agressão. Bom humor.
O ministro diz na lata que, hoje, com o filtro solar com preço nas alturas, nem pensar distribuir gratuitamente. O SUS quebraria no primeiro mês. Por isso a saída é criar um genérico, com apoio da indústria e da Anvisa. Inclusive, tem reunião marcada na semana que vem pra discutir o assunto.
Pronto. Furo pro programa do Gordo.
Saem felizes. Agradecem insistentemente. Contei umas três vezes cada.
Já no corredor, o Gordo comenta: “Gostei desse cara. Gente boa pra caralho.”
Em meio a acrobacias do câmera, acompanhei os três até o térreo, pra garantir.
Tudo calmo. Já não havia moças de biquíni. Ufa.
Golaço!
A conferir se a edição vai ser tão profissa quanto o mano foi.
EM TEMPO: Caros leitores, o furo é DO GORDO. Respeitem o off, por obséquio.
(A quem interessar possa: o quadro não irá ao ar na estréia, amanhã, mas talvez no outro sábado, 17)
Eu trabalhava calmamente no caos diário do ministério, chafurdada em vacinas de gripe, mortes no Pará, kit-enchente pro Rio de Janeiro, e eis que recebo uma ligação do gabinete.
“Corre lá embaixo que tem umas 30 meninas de biquíni gritando o nome do Temporão. E com câmera de TV!”
Pulei da cadeira e lá fui encarar o mico das peladas que se instalaram dentro do ministério.
Tá certo... o ministro tem lá seu charme e faz o maior sucesso com a mulherada por sua postura progressista pró-aborto, mas daí a ser pivô de histeria coletiva de coelhinhas?!?!?!
No caminho, fiquei tensa. E se dou de cara com o Pânico ou com o CQC, aqueles mocinhos destemidos da TV que te enfiam o microfone goela abaixo até você explicar de joelhos por que o SUS não fornece dados sobre intoxicação alimentar antes da revolução industrial (sim, isso foi de fato uma demanda que chegou outro dia lá na assessoria, mas é assunto pra outro post...)
Chegando lá, dezenas de mocinhas mostravam suas curvas aboletadas no chão, já do lado de dentro do ministério, besuntadas com algo que parecia ser protetor solar.
Logo ali, atravessando a rua, um grupo de coleguinhas, câmeras e flashes aguardava a saída de alguma importante visita internacional do lado de fora do Itamaraty.
Que não se virem pra cá, rezei.
Corri pra tentar avistar alguma liderança do “movimento”.
No meio das moças e de uma multidão que já se formava, surge ele, o irreverente roliço. Se apresentou daquele jeito informal, mas cheio de educação, e deu logo a palavra ao seu produtor, um japa descolado que eu já conhecia lá da Record de São Paulo.
Estavam ali pra lançar a ideia de um projeto de iniciativa popular defendendo a distribuição gratuita, pelo SUS, de protetor solar, explicou.
Queriam levar essa ideia ao ministro da Saúde. E todo mise-em-scène devidamente documentado para um quadro do novo programa Marcos Mion, que estreia neste sábado à noite, na TV Record, a emissora do bispo.
Saia justa, pensei.
Percebendo a inquietação, prometeram com simpatia que o programa não humilharia nem agrediria ninguém, e que a ideia é abraçar algumas causas e dar a elas visibilidade. Queriam uma palavra de apoio, apenas. E se comportariam direitinho.
Deixei-os ali com a promessa de que traria uma solução, desde que eles ficassem calminhos até que eu voltasse.
Calminho, aquele cara??? Saí desembestada pra achar uma solução antes que aquelas moças invadissem o gabinete e pulassem no ministro em frente às câmeras.
Bobagem. Puro preconceito.
Cumpriram direitinho a promessa, enquanto eu acertava tudo com o chefe.
Corta a cena e adianta a fita: estamos os três, João Gordo, o produtor e eu, tomando cafezinho na ante-sala do gabinete, rindo e comentando sobre as recorrentes notícias dos padres pedófilos, criticando a grosseria dos bobocas do Pânico, a pindaíba em que vive a produção do CQC (o produtor é recém-saído de lá) e trocando impressões sobre o grande problema de saúde pública que é o câncer de pele.
Lembrei dos bispos da Record, que agora mandam no Gordo.
Mandam?, perguntei.
“Ah, véio, eles sabem quem eu sou e como eu sou, tá ligado? Me contrataram, pô. Eu não vou mudar meu jeito, caralho.”
Eu: Mas não fazem nenhuma restrição?
O produtor interveio, explicando que nada é dito, nem há manuais de boas maneiras. Mas que as pessoas tem bom senso. Elas intuem seus limites.
Entendi, respondi. Hilariante imaginar o João Gordo intuindo limites, pensei.
Aí o Gordo pro produtor: Cara, imagina se eu resolvo cantar a música do Ratos (de Porão) em homenagem à (Igreja) Universal lá no programa?
E desatou a declamar a letra inteira, que tem um trecho assim:
“Histeria coletiva / Farsa pentecostal / Hipnose destrutiva / Atitude anormal!"
Silêncio.
Dizer o quê?
O Gordo corta: Esse programa aí (“Legendários”, amanhã, às 21h45) tá do caralho. Não tem nada parecido na TV aberta. Acho que vai bombar, mano.
Parece que levaram um pouco das receitas descoladas da MTV e misturaram com a fórmula do CQC.
Nessa hora, alguém avisa que o ministro nos chama. Passamos para a sala de reuniões do gabinete. Assim que entramos, o Gordo vê na parede um quadro do Lula com a faixa presidencial. Ao lado, uma bandeira do Brasil.
“Cara, tira uma foto da gente aqui”, pede, sacando uma digital do bolso. Num misto de humildade e orgulho que me surpreendeu, ele e o produtor se colocam entre o presidente da República e a bandeira.
Cliques feitos, servem-se de mais cafezinhos.
Parecem surpresos de ter chegado até ali.
O ministro chega e, enquanto aguardam o câmera, batem papo. O ministro conta seus projetos para fazer baixar o preço do protetor solar. Dá números sobre a incidência de câncer de pele, elogia a iniciativa do programa.
Ganha os entrevistadores.
A luz é acesa, a câmera começa a gravar.
Três ou quatro perguntas, todas pertinentes. Nenhuma sacanagem, nenhuma ironia nem agressão. Bom humor.
O ministro diz na lata que, hoje, com o filtro solar com preço nas alturas, nem pensar distribuir gratuitamente. O SUS quebraria no primeiro mês. Por isso a saída é criar um genérico, com apoio da indústria e da Anvisa. Inclusive, tem reunião marcada na semana que vem pra discutir o assunto.
Pronto. Furo pro programa do Gordo.
Saem felizes. Agradecem insistentemente. Contei umas três vezes cada.
Já no corredor, o Gordo comenta: “Gostei desse cara. Gente boa pra caralho.”
Em meio a acrobacias do câmera, acompanhei os três até o térreo, pra garantir.
Tudo calmo. Já não havia moças de biquíni. Ufa.
Golaço!
A conferir se a edição vai ser tão profissa quanto o mano foi.
EM TEMPO: Caros leitores, o furo é DO GORDO. Respeitem o off, por obséquio.
(A quem interessar possa: o quadro não irá ao ar na estréia, amanhã, mas talvez no outro sábado, 17)
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Santo André, 457
Salve, salve, torrão Andreense
Gigantesco viveiro industrial.
Onde andarás, menino da bandeira?
Gigantesco viveiro industrial.
Teu formoso destino pertence
Aos que lutam por um ideal.
Parabéns à terrinha que completou hoje 457 anos e que me abrigou durante uns 24 deles. Ainda hoje me esconde eventualmente. E à minha mãe, diariamente.
Aprendi o hino da gloriosa Santo André na segunda série, aos 8 anos. Nunca mais esqueci. Tínhamos um momento cívico todas às sextas-feiras, enfileirados no enorme pátio do Colégio Stocco.
Assistíamos, com a mão no peito, à subida das bandeiras da cidade, do estado e do país.
Aquele momento-disciplina me dava preguiça. Naquele ano de 1982, não tinha noção de que, em muitos dos nossos pais, aquilo causava sentimentos muito mais radicais.
A mim, as lembranças são leves. Um colega escoteiro era responsável por hastear a bandeira brasileira. Lembro bem do Guilherme - menino sério, feinho, mas com modos de lorde que destoavam dos nossos. Tinha uns nove sobrenomes e achávamos que era descendente de Dom Pedro. Lá se vão 28 anos...
Assistíamos, com a mão no peito, à subida das bandeiras da cidade, do estado e do país.
Aquele momento-disciplina me dava preguiça. Naquele ano de 1982, não tinha noção de que, em muitos dos nossos pais, aquilo causava sentimentos muito mais radicais.
A mim, as lembranças são leves. Um colega escoteiro era responsável por hastear a bandeira brasileira. Lembro bem do Guilherme - menino sério, feinho, mas com modos de lorde que destoavam dos nossos. Tinha uns nove sobrenomes e achávamos que era descendente de Dom Pedro. Lá se vão 28 anos...
Onde andarás, menino da bandeira?
Contra a maré
Há uns seis meses venho tendo amostras do que será trabalhar no Ministério da Saúde entre os meses de campanha eleitoral. É um tal de o lado de lá roubar a autoria de ações de cá, vender notinhas cínicas com as próprias digitais (e surpreendentemente ainda há remanescentes que, sem citar nomes, vêm dedurar), inflar números de lá e murchar os de cá...
Isso sem contar a força que recebem dos nobres colegas jornalistas "independentes".
E a gente fica lá, remando contra a maré.
Ontem foi assim: um sujeito - nobre colega de nobre diário candango - pôs na cabeça que tem algo errado num contrato xis.
Expliquei tintim por tintim por que era assim e não assado. Tudo direitinho. Tudo documentado.
Mesmo assim - o que é seu direito -, foi lá no doutor promotor, amigo e comparsa de outros carnavais, contou o que achava e ouviu algo como: "é, se é assim, deve ser irregular".
Mesmo assim - o que é seu direito -, foi lá no doutor promotor, amigo e comparsa de outros carnavais, contou o que achava e ouviu algo como: "é, se é assim, deve ser irregular".
O promotor decidiu que iria solicitar cópia do contrato para poder analisar e dar parecer formal a partir da cutucada do sujeito. Até aí, jogada ensaiada com a imprensa é corriqueiro, pra não dizer normal.
A questão é que o sujeito já encontrou uma matéria pronta ali na fala do promotor. Chegou com os dois pés no nosso peito afirmando que já tinha matéria pra publicar mesmo antes da 'posição formal' do doutor.
Eu: Mas qual é a notícia exatamente? Vai dizer que seu palpite fará com que um promotor analise a legalidade de um contrato?
O sujeito: "Se ele falou que deve ser ilegal, já é indício de irregularidade. Vou fazer a matéria."
Você começa com diplomacia, recorre aos argumentos da legalidade, apela para os da ética jornalística e aí começa a espernear, mas sem atingir a jugular (assessor de imprensa é engolidor de sapo. Tem que manter a diplomacia pra não ferir os brios da nobreza. do contrário, a matéria não só sai, como vira manchete com chamada de capa).
Sem sucesso.
É assim que nascem muitas "denúncias". De palpites de jornalistas "independentes".
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Um brinde ao 7 de abril
Hoje, 7 de abril, comemoram-se duas efemérides radicalmente antagônicas:
É o Dia Mundial da Saúde e também o Dia do Jornalista.
Em homenagem, um 'clássico' encontro entre ambos:
É o Dia Mundial da Saúde e também o Dia do Jornalista.
Em homenagem, um 'clássico' encontro entre ambos:
*****
E já que entramos no assunto, quero alertar que jornalista também é um ser humano em toda sua integralidade. Tá aqui, ó: terça-feira, 6 de abril de 2010
A foto não feita
Acordei com um telefonema às 6h50. Me avisavam que as chuvas da madrugada interditaram o Rio de Janeiro. Haviam cancelado toda a agenda do presidente Lula no Rio.
Dentro dela tinha uma rápida passada das autoridades a um posto de vacinação contra a gripe H1N1 no morro do Alemão.
Eu contava com essa foto.
É que andam deixando de se vacinar - especialmente as grávidas e crianças até 2 anos.
Vai entender... Num ano, pânico e histeria. No outro, preguiça? medo? distração? desconfiança?
Heloo, tem gente querendo morrer??
Para além do altruismo e da preocupação com o bem-estar e a saúde da população, me interessa particularmente que todo esse povo vá se vacinar.
A relação entre as filas nos postos hoje é inversamente proporcional ao volume de trabalho que me aguarda no inverno.
Dentro dela tinha uma rápida passada das autoridades a um posto de vacinação contra a gripe H1N1 no morro do Alemão.
Eu contava com essa foto.
É que andam deixando de se vacinar - especialmente as grávidas e crianças até 2 anos.
Vai entender... Num ano, pânico e histeria. No outro, preguiça? medo? distração? desconfiança?
Heloo, tem gente querendo morrer??
Para além do altruismo e da preocupação com o bem-estar e a saúde da população, me interessa particularmente que todo esse povo vá se vacinar.
A relação entre as filas nos postos hoje é inversamente proporcional ao volume de trabalho que me aguarda no inverno.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
E já é segunda...
domingo, 4 de abril de 2010
O tucano alçado às nuvens
Alguém arrisca um palpite sobre o veículo que publicou no último final de semana o trecho abaixo?
"Serra já pode se preparar para enfrentar a perseguição agressiva - e muitas vezes violenta - dos movimentos populares controlados pelo PT. Enquanto ele fazia seu discurso de despedida, um grupo de 4 mil sindicalistas tentava fechar a avenida Paulista e se esforçava para entrar em confronto com a Polícia Militar, bradando slogans antitucanos. Queriam armar uma cena de sangue para manchar o último dia de Serra no governo. A maior evidência de que a gritaria sindical é puramente política é a altíssima aprovação do governo Serra em São Paulo (...) Ou seja, seu governo é admirado, ao contrário do que querem fazer crer os sindicalistas (...) Está oficialmente aberta a temporada de caças aos votos de 2010. E ao candidato tucano."
Necessário responder à pergunta inicial?
Respondo com uma nova pergunta, esta direcionada à família Civita e adjacências: Quem mesmo está tentando caçar os votos de quem?
Reabilitação
Um colega diz que somos "quatro Lucianas" na redação. Duas carregam o nome na certidão de nascimento. As outras duas - no caso eu e meu colega - ganhamos a alcunha em homenagem à personagem principal da novela das 8, aquela tetraplégica em reabilitação.
Ele por causa de uma tendinite que prenuncia, com a falta de cuidados, uma aposentadoria compulsória do alto de seus 33 anos.
E eu pela descoberta de uma "herniazinha respeitável na porção sacral", como anunciou o médico há algumas semanas.
- Doutor, é herniaZINHA ou é respeitável?, indaguei confusa, sem a menor ideia do que estaria por vir. Ele então apontou para uma imagem no computador - a foto de minha coluna vertebral, informou. Indicou com o lápis uma parte branca, protuberante, "avançando pra dentro do disco ósseo entre a L5 e a S1" (ou seja: aquela parte em que acaba a coluna e começa a bunda, e é por isso que vejo estrelinhas quando sento).
- Ok, doutor, mas é grande? é grave? tem cura? vou parar de andar?? posso voltar a namorar??? (nesse momento, o balãozinho de pensamento trazia #$%@*&&$#$ para a lembrança dos momentos rebolation do carnaval baiano...)
Mineirinho sutil, o doutor Cícero lançou um olhar dúbio - tinha um quê de piedade, acho - e fui pra casa indecisa.
Hoje, mais de um mês e uns três tipos de remédios e de tratamentos fisioterápicos depois, a resignação: uma convivência quase harmoniosa com emplastros e uma cinta cheia de ferros pra coluna não cair. E outra parte bem menos harmoniosa que limita movimentos, dá mau humor, escasseia minhas sessões de cinema, me faz acordar de noite com careta e castiga quando tento namorar. LA VECCHIAIA È BRUTA!
Até quando? Ninguém ousou ainda responder.
Mesmo com o nada feito / com a sala escura
Com um nó no peito / com a cara dura
Não tem mais jeito / a gente não tem cura
Mesmo com o todavia / com todo dia
Com todo ia / todo não ia
A gente vai levando / a gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Aquele olhar dócil do mineiro doutor Cícero volta sempre a me assombrar, mas agora um mega-super-especialista de olhar mais frio, típico de um mega-super-especialista, passou a tomar conta de mim e da minha protuberância sacral.
Vou levando até que a protuberância resolva involuir (sim, isso é uma possibilidade, disse o médico, engatando uma centena de regras aplicáveis ao meu cotidiano). A outra opção é faca.
Prefiro aprender a sentar ereta nos ísquios.
Ele por causa de uma tendinite que prenuncia, com a falta de cuidados, uma aposentadoria compulsória do alto de seus 33 anos.
E eu pela descoberta de uma "herniazinha respeitável na porção sacral", como anunciou o médico há algumas semanas.
- Doutor, é herniaZINHA ou é respeitável?, indaguei confusa, sem a menor ideia do que estaria por vir. Ele então apontou para uma imagem no computador - a foto de minha coluna vertebral, informou. Indicou com o lápis uma parte branca, protuberante, "avançando pra dentro do disco ósseo entre a L5 e a S1" (ou seja: aquela parte em que acaba a coluna e começa a bunda, e é por isso que vejo estrelinhas quando sento).
- Ok, doutor, mas é grande? é grave? tem cura? vou parar de andar?? posso voltar a namorar??? (nesse momento, o balãozinho de pensamento trazia #$%@*&&$#$ para a lembrança dos momentos rebolation do carnaval baiano...)
Mineirinho sutil, o doutor Cícero lançou um olhar dúbio - tinha um quê de piedade, acho - e fui pra casa indecisa.
Hoje, mais de um mês e uns três tipos de remédios e de tratamentos fisioterápicos depois, a resignação: uma convivência quase harmoniosa com emplastros e uma cinta cheia de ferros pra coluna não cair. E outra parte bem menos harmoniosa que limita movimentos, dá mau humor, escasseia minhas sessões de cinema, me faz acordar de noite com careta e castiga quando tento namorar. LA VECCHIAIA È BRUTA!
Até quando? Ninguém ousou ainda responder.
Mesmo com o nada feito / com a sala escura
Com um nó no peito / com a cara dura
Não tem mais jeito / a gente não tem cura
Mesmo com o todavia / com todo dia
Com todo ia / todo não ia
A gente vai levando / a gente vai levando
A gente vai levando essa guia
Aquele olhar dócil do mineiro doutor Cícero volta sempre a me assombrar, mas agora um mega-super-especialista de olhar mais frio, típico de um mega-super-especialista, passou a tomar conta de mim e da minha protuberância sacral.
Vou levando até que a protuberância resolva involuir (sim, isso é uma possibilidade, disse o médico, engatando uma centena de regras aplicáveis ao meu cotidiano). A outra opção é faca.
Prefiro aprender a sentar ereta nos ísquios.
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